“Aqueles que dizem que algo não pode ser feito geralmente são interrompidos por outros fazendo” - James Baldwin
Edição de 22/10/24
Bom demais pra ser verdade? 👀
Imagem: CBC
Há uma semana, a notícia que abriu o TRR News falava do recorde mundial batido por Ruth Chepng'etich, do Quênia, na maratona de Chicago.
Hoje, novamente, o tempo impressionante é assunto.
Apesar de ainda não haver nenhuma indicação de doping, dois movimentos muito fortes e opostos aconteceram na mídia da corrida na última semana:
O primeiro deles questionando o resultado da atleta de 30 anos.
O segundo enaltecendo e defendendo das acusações fundamentadas mais em história do que em ciência.
Isso porque parte dos especialistas está tendo dificuldade em aceitar que o resultado de Chepng'etich tenha sido alcançado sem a utilização de substâncias ilegais.
Pelas palavras do jornalista e campeão da maratona de Boston de 1968, Amby Burfoot: “nós não temos provas, mas a gente sabe o que a gente sabe”.
Um dos argumentos de Burfoot é que historicamente, quando recordes femininos alcançam marcas melhores que 10% mais lentas que os masculinos, geralmente tem coisa errada por trás.
No caso de Chepng'etich ela foi apenas 7,75% mais lenta que o recorde de Kelvin Kiptum na maratona masculina.
Outro ponto que Amby cita é a história recente de atletas quenianos, com mais de 100 corredores sendo pegos em doping em anos recentes.
Por último, o jornalista cita os resultados recentes da queniana recordista mundial, dizendo que ela correu a meia maratona de Buenos Aires de 2024, uma prova plana e com clima ameno, em mais tempo do que os dois splits de 21,1 km da maratona do recorde.
Analisando os números, principalmente no que se trata da evolução de resultados da atleta que tem 15 maratonas desde 2017, é difícil não ficar com uma pulga atrás da orelha.
Olhando por outro lado, se realmente se provar um resultado legítimo, o que a essa altura é por muito o cenário mais provável, só faz com que o recorde de Chepng'etich seja ainda mais absurdo.
Link para o texto completo de Amby Burfoot: https://marathonhandbook.com/opinion-why-its-hard-to-trust-ruth-chepngetichs-marathon-world-record/
Só os melhores 🏅
Imagem: Website Nirvana Europe
No próximo dia 26, acontece em Kona, Hawai’i o IRONMAN World Championship, a única etapa do circuito que requer classificação.
Anualmente, são feitas duas etapas mundiais, uma masculina e uma feminina, uma em Kona e a outra em Nice, na França. Em anos pares, os homens competem no Hawai’i e as mulheres na França, em anos ímpares vice-versa.
A prova, para os não familiarizados, consiste de um IronMan completo, com 3.8km de natação, 180km de bike e 42.2km correndo.
Quanto à classificação, não existe um tempo que os atletas devem bater para se classificar. Durante etapas anteriores, os melhores de cada categoria (por idade) que se prontificarem a participar do mundial são os escolhidos.
Por estarmos falando principalmente de atletas amadores, nem sempre os primeiros colocados estão dispostos ou têm condição de fazer uma viagem internacional, dando chance para atletas que não foram ao pódio a se classificar para o mundial.
Sobre a prova: a água do mar em Kona é quente, tendo uma temperatura média de 28ºC, e o vento ao que tudo indica não deve atrapalhar os atletas no pedal. A previsão de temperatura, no entanto, promete complicar com uma mínima de 26º e máxima de 32º.
Vale lembrar que a corrida só é feita depois da natação e da bike, e que o começo da maratona deve ocorrer no momento mais quente do dia.
No total, serão 2480 atletas. O país com o maior número de representantes é os Estados Unidos, com 637 atletas. Nessa lista, o Brasil fica em 8º com 80 atletas inscritos.
Definitivamente uma prova que não é para qualquer um 😳
2025 já começou 📆
Imagem: Website O2 Corre
Para a galera das Majors, 2025 já é agora.
Desde a segunda semana de outubro já estão abertas as inscrições para a loteria da maratona de Berlim 2025, e hoje pela manhã foram abertas as inscrições para a maratona de Chicago 2025.
Quando o assunto são Majors, é impossível não pensar no evento desde o momento que saímos de casa para o aeroporto até o pouso do avião de volta no Brasil. Dito isso, vou analisar no texto toda a possível viagem das duas provas.
Depois do recorde mundial de mais participantes em uma maratona na história, a 51ª maratona de Berlim promete MUITO.
A prova acontece na cidade mais importante da história recente da Europa, e os pontos turísticos começam na retirada do kit, que ocorre em um aeroporto desativado do século passado.
Durante a prova, muitos pontos turísticos e torcida o tempo inteiro, fator que ajuda muito e faz muita diferença principalmente em provas mais longas. A organização é satisfatória e a caminhada pré largada é um pouco longa, mas no final vale super a pena.
O pós prova é tudo o que se pode imaginar de uma prova na Alemanha. Excelentes restaurantes, cerveja e muita comemoração saindo do evento da maratona.
Já em Chicago o importante é a prova em si. Numa cidade maravilhosa mas que nem de longe compete com Berlin em história, a corrida para a cidade.
O pré-prova é incrível, com a retirada do kit em um pavilhão de eventos inteiro decorado com patrocinadores (principalmente Nike e Bank of America). A organização é impecável, as filas são quase inexistentes e as ativações são extremamente interessantes.
A prova em si é incrível, a torcida ocupa a cidade inteira com os sinos que são distribuídos e apoio com certeza não vai faltar. Depois de cruzar a linha de chegada tem uma caminhada até o evento aberto ao público, mas nada demais para quem acabou de correr 42km.
O evento pós-prova é incrível, também cheio de ativações dos patrocinadores e um palco com eventos musicais, uma verdadeira comemoração organizada pela própria prova após a linha de chegada.
Dito tudo isso, vamos ao que importa:
Links para as inscrições (ambas fecham em 21/11):
Berlim
Chicago