Bem amigos… terminou

Bem amigos… terminou

Um até logo para Paris. Depois de três semanas movimentadas, as Olimpíadas de 2024 se encerraram no último domingo (11/08), e muito de importante aconteceu para a corrida nesses últimos dias.


Etíope Tamirat Tola não toma conhecimento das subidas parisienses e bate recorde olímpico da maratona

O etíope Tamirat Tola chegou às Olimpíadas de Paris com a tarefa nada fácil de repor o principal favorito da prova e campeão da maratona de Boston de 2024, Sisay Lemma.

Apesar de não ter sido relacionado inicialmente como um dos três atletas para representar a Etiópia, Tola era sim um dos favoritos para o pódio considerando seus resultados passados, principalmente por sua vitória nas subidas da Maratona de NY em novembro de 2023.

Além de vencer a prova com uma certa tranquilidade nos quilômetros finais, o etíope ainda baixou o recorde olímpico em 6 segundos. A marca anterior já durava 16 anos. Seu tempo foi de 2 horas, 6 minutos e 26 segundos.

Em uma prova onde Eliud Kipchoge não conseguiu terminar, e outros atletas renomados como Kiplangat (Uganda) e Bekele (Etiópia) ficaram em 37º e 39º respectivamente, a facilidade de Tamirat Tola nas subidas impressiona ainda mais.

Além de Tola, completaram o pódio o belga Bashir Abdi e o queniano Benson Kipruto.


Depois de dois bronzes nos 5K e 10K, Sifan Hassan bate recordista mundial e conquista medalha de ouro na Olimpíada de Paris

BRS Agency / Getty Images

Dentre todos os feitos históricos que aconteceram em Paris nas últimas semanas, um dos mais absurdos foi protagonizado pela atleta holandesa Sifan Hassan. 

Depois de conquistar dois bronzes nas provas de 5K e 10K correndo em pista, Hassan largou na manhã do domingo como a segunda atleta a ser batida da maratona, atrás apenas da atual recordista mundial Tigist Assefa. 

Com a prova decidida em um sprint nos 200 metros finais, Sifan Hassan abriu 3 segundos de Tigist Assefa, bateu o antigo recorde olímpico em 12 segundos e fechou a prova com 2 horas, 22 minutos e 55 segundos.

Definitivamente não é para qualquer um três resultados dessa magnitude na mesma Olimpíada.


Não uma, não duas, SEIS VEZES…

Steph Chambers / Getty Images

Esse foi o número de eventos consecutivos que Sydney McLaughlin bateu o recorde mundial dos 400m com barreiras.

Não bastasse a marca completamente absurda, Sydney foi a primeira atleta da história a conseguir dois ouros olímpicos na modalidade. 

Considerando todos os esportes olímpicos, são poucos os nomes tão dominantes quanto o de Sydney McLaughlin nos 400m com barreiras. 

Para efeito de comparação, a segunda colocada em Paris atingiu um tempo de 51.87s, marca 0.03s melhor que o tempo da velocista americana nas classificatórias para as Olimpíadas… de Tokyo 2021! Na ocasião, Sydney bateu o então recorde mundial com o tempo de 51.90. 

A questão que fica é: até quando vai a sequência de recordes mundiais da americana de apenas 25 anos?


Como foi a Marathon Pour Tous, a primeira maratona amadora da história das Olimpíadas

Começando pelo percurso: mais de 480 metros de altimetria, com subidas de mais de 15% de inclinação. No quesito esforço, o trajeto é significantemente mais cansativo que qualquer uma das 6 majors, incluindo Boston que é ótimo parâmetro para a discussão.

Apesar da dificuldade, a intenção da organização era fazer com que o trajeto passasse na maioria dos principais pontos turísticos da cidade, e nisso eles obtiveram êxito.

Quanto à organização: O pré-prova foi bem organizado, com mais de um ponto de retirada de kit e filas que apesar de longas, andavam rápido. Todos com fácil acesso pelo metrô e bem centralizados.

Durante a prova, a falta de isotônico nos pontos de hidratação e o clima um pouco abafado de Paris prejudicaram os atletas, fazendo com que muitos passassem mal no meio do percurso, que por sua vez era estreito e podia se reduzir a apenas uma faixa de trânsito.

O caos pós-prova foi o grande problema. Com muitos atletas passando mal o transporte dificultado pelo horário e os mais de 40000 corredores, a organização pecou em colocar o ponto de encontro de atletas com suas famílias em um lugar apertado e de difícil locomoção e evacuação.

A atmosfera da prova: Simplesmente fantástica. Muita torcida durante grande parte do trajeto, mesmo com a prova tendo largado a partir das 21h e se estendido madrugada adentro.

Como já citado antes, o trajeto passou pelos principais monumentos da cidade, fazendo com que além de icônica por ser uma prova olímpica, a prova tenha sido também esteticamente maravilhosa, com o clima de Paris ajudando e mantendo a temperatura agradável durante todo o trajeto.

A expectativa que fica é que para as próximas Olimpíadas em Los Angeles a organização aprenda um pouco mais no que fazem as maiores provas do mundo, e não deixe a desejar em alguns aspectos básicos para os atletas e para o espetáculo.

Apesar de tudo, o saldo foi positivo…

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